Quero descrever aqui minha pesquisa e do Luis Gustavo.

Cheguei a Gustavo com a idéia de movimentação articular do corpo, como vi nele algumas impossibilidades pelo fato do joelho, trabalhei em cima disso. O joelho não está capacitado para qualquer obra mas o resto do corpo está, foi ai que quis explorar o lado comico da movimentação e as articulações principalmente da cabeça, tronco e membros superiores. Acredito que a dança seja muito mais do que grandes movimentações corporais, que ela passe por um momento de inclusão e comunicação, ou seja, dança é arte, e a arte é universal.

Já a proposta de Gustavo foi explorar o desequilibrio, fazer o corpo experimentar novas dimensões, direções e posturas. O fato dos elásticos ajuda bastante nessa tentativa de fuga de um alinhamento.

Esse trabalho é a prova que podemos sim dançar e dançar muito mesmo com nossas impossibilidades, pois elas servem para nos dar ainda mais forças e idéias diferenciadas de movimentação.

Ester Dezan

Trabalho de Composiçao

Outubro 10, 2008

Venho falar a respeito de composição, de uma estrutura coreográfica, do nosso trabalho de composição nesse bimestre, particularmente do meu e o da Nalu e da nossa experiência.

Me confundo algumas vezes em conceitos discutidos, tenho algumas opiniões diferentes, não digo que o processo coreográfico de um ou de outro esteja certo, mas também não acredito que deva se dar sempre da mesma forma.

O que se entende por pesquisa? De uma questão, de um conceito a ser discutido e apresentado, digo apresentado sim, pois estamos em um lugar onde esse trabalho é analisado e recebemos uma nota, mesmo que seja a pela apresentação de um processo.  Mas não é essa questão que venho discutir, e sim a questão de como esse trabalho se desenvolve. Para desenvolver a coreografia da Nalu fiz sim uma pesquisa nas artes marciais, mais especificadamente do karatê (que é mais próximo da minha vivência), sei do significado e dos objetivos de cada movimento desenvolvido e cada movimento reformulado por mim enquanto coreografa e pela Nalu enquanto bailarina, não partiu apenas de uma reprodução de movimentos e sim de uma síntese dos conceitos e da estrutura filosófica das artes marciais, e como isso se da enquanto dança. E de que forma pode-se levar conceitos assim para uma apresentação, para o palco, (que foi o lugar escolhido para esse trabalho ser apresentado) e não ser apenas para um publico especifico. Essa foi a minha escolha nesse momento.

Juliana Hauth

Cansados … ou não!!!

Outubro 10, 2008

Estamos no 3º ano de faculdade, faltando pouco mais de 1 mês e meio para acabar o ano letivo, o que significa que no próximo ano estaremos no 4º e último da nossa faculdade e tal. E nesse ponto que estamos, me parece que vamos mais na “banguela” do que realmente com a nossa própria força. Reparo em todos e lógicamente em mim, e vejo que estamos desgastados, estressados, cansados, estenuados, chateados, desacreditados, amoados, até, desesperançados. E por que? Qual é a grande questão? Deveríamos estar animados, satisfeitos, felizes, e não. A única coisa que queremos é que acabe logo esse ano e entremos logo em férias. Me pergunto que sentimento é esse que nos permeia nos corredores da FAP, por que não aguentamos mais, o que faz com que esse caminho seja um sacrifício? Tenho algumas teorias que tal vez respondam, ou não. Um curso integral exige muito tempo, um curso onde temos que nos desdobrar pra dar conta do bacharel e licenciatura, um curso que tem que revisar seus conceitos urgentente sobre o que ele pretende ser, um curso que tem um discurso teórico belíssimo, mas uma prática que deixa a desejar, um curso em que reina as confusões de entendimento e não a racionabilidade e a capacidade de harmonização, um curso que não fomenta a produção e a vontade do executar artístico, me parece claro que com tantos detalhes é difícil estar satisfeito. Mas o que mais me incomoda é tal vez sentir a falta de arte, de sensibilidade, de humanidade, de liberdade, de incentivo para neste lugar que estamos buscar, vivenciar e experienciar arte. Dança é arte e comunicação, e não devemos esquecer disso, é o que nos move, anima, alimenta, mantêm, nos faz sentirmos realmente vivos, viscerais. Me parece que está faltando alma, suor, sangue, sentimento, e TESÂO nesse nosso curso. Lancemos uma campanha: ” POR UMA DANÇA COM MAIS TESÃO”.

heleno moura

Sua Dança Comunica?

Outubro 9, 2008

O homem é um ser fundamentalmente comunicativo e dança surgiu desta necessidade de comunicação: dedos, braços e tronco falam milênios antes da voz. Até hoje não existe nenhuma forma de comunicação humana, nem a fala, a escrita, a música ou a pintura, que traduza sozinha por completo todos os sentimentos, crenças e anseios humanos mais íntimos, e não há sociedade humana que não tenha dança.

O ser humano, ser em constante formação, possui ânsia instintiva pelo conhecimento, na tentativa de organizar informações e saberes criou métodos para que seus entendimentos fossem assimilados, passados a diante e aprofundados, o que chamamos hoje de educação.

            A arte não perdeu a sua característica essencial ainda hoje, a de comunicar. Nós, como artistas, temos que nos questionar e pensar em qual é  a finalidade e condição primeira da existência da arte e da dança, deve se lembrar que antes de qualquer tentativa de organizar informações, o homem sempre foi um ser comunicativo. Ele precisa se comunicar com seu meio (pessoas, lugares, conhecimentos). Não se pode permitir que a arte se reduza a estética, ela precisa comunicar, ser bela, que como Platão dizia, uma verdadeira arte deve ser bela e boa.

            A dança, assim como a música, é uma das artes mais antigas, já que seu suporte é o próprio corpo do bailarino. Está intimamente ligada ao ambiente – espaço, cultura, sociedade – e por este motivo existem inúmeras modalidades desta expressão, sem juízo de valor que as diferencie. O que importa é que ela não seja alienada.

            Segundo as concepções gregas de surgimento do mundo de que algo só existe a partir do momento em que se tem consciência, ou seja, é lembrada sua existência; e considerando, de acordo com Mara Guerreiro que só há possibilidade de mudança quando são adquiridos hábitos de mudança , é de suma importância a criação do hábito de nos conscientizarmos sobre o nosso corpo, espaço, necessidades e direitos

            A sociedade como um todo precisa agir para obter seus objetivos e necessidades, e uma sociedade ativa é feita por um coletivo de indivíduos desde o açougueiro, o padeiro, o gari, e todos os outros. Porém, especialmente, o artista o professor e o estudante universitário, tendo o privilégio de estar num espaço propício à reflexão e capacidade de compreender mais a fundo problemas e necessidades sociais, precisam ser a voz ativa e lutar pelos que não têm este poder e também por si próprios .

            Considerando que a dança hoje tem seu conceito abrangente, feito de pluralidade de papéis e funções comunicativas, e a faculdade como espaço capaz de transformar profundamente o intelecto de uma pessoa,  nós alunos do curso de dança devemos entender nosso papel em sociedade e exercê-lo da melhor forma possível. Precisamos ter consciência das coisas que nos rodeiam e participar mais socialmente através da expressão de uma arte não alienada, que provoca algum tipo de conhecimento, discernimento ou ainda  mais simples reflexão.

 Você já pesou sobre que tipo de dnaça você produz?

 Inês Saber

Apenas questionar???

Outubro 5, 2008

Jéssica Gardolin

Será que toda vez que vamos apreciar uma obra de DANÇA estamos realmente preparados para o que ela nos propõe?? Ou será que muitas das vezes caimos no juizo do GOSTO??

Essa prática enquanto Publico espectador não brota, nem nasce sozinha, mas se contrói. Vamos puxar a sardinha para o nosso lado. Nas aulas da FAP passamos por esse exercício nos momentos de observar e ser observado. É comum dizer que os leigos que vão assistir Dança costumam dizer as palvras “gostei, não gostei, não entendi, que bonito!” , mas será que nós mesmos enquanto acadêmicos do mundo da DANÇA nao passamos por situações parecidas em nosso meio?

O que acontece é que todos tem o seu ponto de vista e sua própria leitura a cerca dos seus trabalhos e os trabalhos dos colegas, o que resulta numa necessidade humana de se esperar assisistir na pesquisa do outro valores que se encaixem na sua própria visão, ou seja, ver o trabalho do colega esperando ver apenas o que quer, enxergando apenas o que lhe interessa.  Como um exemplo de ‘praxe’ suponha que o experimento do dia é apenas apresentar o processo e as pessoas assistem querendo algo pronto já totalmente lapidado, aí surgem as críticas: “Por que não faz assim ou assado? Achei isso, nossa achei aquilo”, se utilizando de adjetivos e questionando as escolhas do proponente, “Voce poderia ter feito de tal jeito”…

Não estamos mais nesse lugar de questionar as escolhas dos outros, mas sim de analisar e eu diria até ’avaliar’ (longe do sentido do JULGAR) se o colega conseguiu passar seu conteúdo, se conseguiu comunicar, se suas idéias nos levam realmente para algum lugar, e isto tudo no sentido de construção e aprendizado tanto daquele que propõe quanto daquele que aprende a apreciar e criticar (agora sim criticar, mas de forma contrutiva).

 

Por Jéssica Gardolin

ANDA – DANÇA

Outubro 4, 2008

Regina Kotaka

Enfim foi criado um espaço onde vão convergir os trabalhos de pesquisa em dança, o ANDA, Associação Nacional dos Pesquisadores em Dança. A iniciativa aconteceu no 1º Encontro Nacional de Pesquisa em Dança, realizado esse ano em Salvador.

Essa iniciativa vem, para tirar a gente do sufoco de não saber, o que realmente o Brasil está pesquisando e produzindo em dança, digo o Brasil, porque parece que é mais fácil acessar o conhecimento do resto do mundo, do que compartilhar da descoberta do vizinho.

Devem vir muitas atualizações por aí. Vamos ficar todos com nossos “sistemas” prontos para desestabilizações e provocações, prontos para novos “evolons”. Que novos paradigmas estejam sendo criados, e que memens estejam infectando mentes com teorias e quem sabe, tecnologias que desafiem o que temos  produzido e compartilhado em conhecimento.

Enfim material publicado por pensadores e pesquisadores diferentes dos habituais, ou será que serão os “mesmos selecionados pelos mesmos”?

Parabéns para dança como produção de conhecimento! São expectativas que vêm através da persistência, se solidificando e conquistando seus espaços. Um espaço para divulgar e publicar, compartilhar e atualizar, fundamentar e gerar, trocar e participar, um espaço para pensamentos que convergem em corpo, movimento, consciência, análise, composição, investigação, criação, conhecimento, DANÇA… ANDA…

Que a iniciativa estimule ainda mais a pesquisa e o saber, possibilitando a articulação e a contaminação do pensamento desenvolvido pela dança contemporânea na atualidade.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.